(...)
- A gente entrou na pet shop e eu tirei ele da coleira, aí alguém abriu a porta e ele correu pra rua, tinha um carro passando bem na hora e buzinou, ele correu assustado e eu não consegui alcançá-lo. Eu não sabia que um cachorro daquele tamanho poderia correr tanto!
- Meu Deus... Cadê a Ine?
- Tão esperando ela terminar o show pra poder contar.
- Tá bom, dona Priscila, eu só vou chegar amanhã à noite. Cuidem dela, por favor?
- Claro Luan. - nos despedimos e desligamos. O Rafa sumiu.
- Luan? - bateram na porta.
- Entra.
- Tá pronto?
- Bora. - peguei meu celular e fechei a porta do quarto. Ia ter um pocket numa rádio agora, mais tarde um show e só aí, eu poderei ir pra casa.
- Cê tá estranho...
- Meu filho fugiu.
- Hein? - perguntou confuso.
- O cachorrinho da Ine, né Testudo!
- Ah, é mesmo. - riu - E ela já sabe?
- Não, ela vai ficar louca. Queria largar tudo e ir procurar por ele. - suspirei.
- Mas você não pode.
- Eu sei tá. - cruzei os braços.
- Coloca um sorriso nesse rosto de bolachão aí. - ele disse e saímos do elevador.
Fomos pro estúdio da rádio, era um show pequeno, pra cem ouvintes que foram sorteados.
Já o show da noite foi enorme, era o último dia da festa da cidade e pelo que eu ouvi falar, nós batemos recorde de público.
Liguei pra Mãe avisando que iria direto pra casa da Daphine, ela assentiu e disse que ela tá muito triste, sem comer. A Daphine não teve nenhum cãozinho antes desse, e a única pessoa que ela perdeu foi a mãe, muito tempo atrás. Então é fácil de compreender porque ela está sofrendo tanto.
Entrei no quarto e ela estava deitada na cama, agarrada ao travesseiro.
- Vem aqui, meu amor.
- O nosso filhotinho, Luan. - sentou no meu colo me abraçando pelo pescoço.
- Não fica assim, pequena. A gente vai achar ele. - afagava seus cabelos.
- É culpa minha.
- Por quê?
- Eu devia ser uma mãe presente. - apesar da situação, não pude deixar de dar uma risadinha.
- Você não tem culpa de nada, aconteceu.
- Eu quero meu filhinho. - ela voltou a chorar.
- Eu prometo que vamos achar nosso filhote, prometo.
Na foto da tela de seu celular, éramos nós dois e ele. Essa foto foi no dia que a gente chegou de Orlando, o rabinho dele balançava tanto que parecia ter vida própria.
Acabei adormecendo junto com ela e só acordamos de manhã, bem cedo pois ela ardia em febre.
- Eu vou te levar no hospital.
- Não quero.
- Sua mãe não tá aqui, e eu não vou te dar remédio sem saber. Troca de roupa agora.
Fomos pro hospital e enquanto esperava entrei no Twitter, fiquei só olhando do que elas falavam. O negócio tava agitado. Fui olhar os trends e engasguei ao ver "Luphine" e "grávida" entre os assuntos mais comentados.
"O Luan e a Daphine tão no hospital que meu pai trabalha! Ele acabou de me ligar." li e ri, antes que a Arleyde me ligasse, resolvi esclarecer aquilo.
"Amooors! Que história é essa que a Ine tá grávida?? Oo"
"@medominoulr: @luansantana mas cê não tá com ela no hospital?"
@medominoulr To muié, mas não é gravidez não.
"@armariamocelin: @luansantana ELA TÁ DOENTE? O QUE É QUE A ÍDOLA TEM? JÁ ACHARAM O RAFA?"
@armariamocelin Ela acordou com febre e eu trouxe ela pra cá. Ainda não achamos nosso filhote =/"
"O médico vem ali, qualquer novidade eu aviso fecho?" - Guardei o celular e levantei pra falar com ele.
- A febre foi somente emocional. Se voltar, você dá esse remédio aqui. - me entregou uma receita - Venha, vamos ao consultório.
- Claro, mas cadê ela?
- Na sala de inalação, conversando com um garotinho. - sorri.
- Licença, meu celular tá tocando. - ele assentiu com a cabeça e me afastei para atender - Fala Roberval.
- Como é que você sai sozinho?
- E se fosse grave? No tempo que vocês demorariam pra chegar, ela podia piorar!
- Tá, tá mas ela está bem?
- Agora sim.
- Nós estamos chegando aí.
- Ok, eu vou falar com o médico.
- Beleza. - desliguei. Bati na porta da sala e entrei.
- Os fãs estão empenhados em encontrar seu filhote, passa tranquilidade pra ela, ele vai aparecer logo menos.
- Tudo bem, eu espero mesmo viu.
- Enquanto isso cuida dela direitinho, e dá cereal na boca dela.
- Hum? - estranhei.
- É minha filha. - ele mostrou o celular e eu ri - Bom, é isso. Mostre-a que ela não está sozinha.
- Isso eu posso fazer.
- E deixe-a de repouso pelo resto do dia. Sabe se ela tem inalador?
- Tem sim.
- Ah, muito bem. Aqui está a alta dela, só assinar.
- Pronto. - levantei e apertamos as mãos.
- Obrigada, e isso você entrega na recepção.
- Obrigada você, Doutor. - assentiu - Pode me levar aonde ela tá?
- Sim, por aqui.
Ele nos guiou pelo corredor até uma salinha que pela decoração era de crianças, estava ela, o menininho e uma senhora, acho sua mãe. Eles riam de algo.
- Ine?
- Eita! - o garoto disse assustado nos fazendo rir.
- Ele que é o meu namorado, Italo.
- Ele? - ela assentiu.
- E aí, rapaz? Tudo bom? - assentiu.
- Mãe, posso tirar uma foto com ele? - ele cochichou.
- Se ele quiser, filho. Palavrinha mágica?
- Por favor? - falou me olhando.
- Owwn meu Deus! Dona Jane, a senhora educou seu filho muito bem, que coisa fofa.
- Tiro foto sim, Italo. - ri.
O Doutor tirou a foto de nós quatro, e depois eu e a Ine mandamos um áudio para a Lili, filha do médico que causou todo aquele alvoroço no twitter.
O Cirilo chegou com o Rober e nós fomos pra casa dela, ele que foi levando o carro dela.
- Tchau, gente.
- Tchau patroa. - o Testa piscou e ela riu assentindo.
Entramos em casa e ela se jogou no sofá tirando as sapatilhas.
- Tá se sentindo melhor? - perguntei.
- Um pouquinho né.
- Sabe que acharam que cê tava grávida?
- Quem?
- Nossos fãs, e... Até que não seria uma má ideia né?
- Eu hein, tá maluco? - me deu um tapa no ombro - Eu só quero meu filhotinho. Vamo procurar ele mais um pouco?
- O médico disse que você tem que descansar.
- Eu não quero. - pela cara que ela fez, sabia que iria chorar e lhe abracei. A ajudei a subir a escada e a tirar a calça apertada.
- Dorme que teu mal é sono. Eu vou achar nosso filhote, tá bom? E você tem que dormir agora.
- Mas eu quero ajudar, Luan.
- Shh. - a coloquei na cama - Dorme, meu amor.
Ela ainda insistiu em levantar mas consegui convencê-la a dormir. A cobri com o lençol, beijei sua testa e liguei o abajur.
Saí do quarto encostando a porta, e tirei logo o celular do bolso.
"Amooorss ;x eu e a Ine tamo oferecendo uma recompensa pra quem achar nosso filhote, ceis topam nos ajudar?"
Oiii sdiksnlnso.
Não sei quando vou postar aqui novamente, então não criem esperanças ok? :))